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O repositório do vídeo, sem enrolação: o que o REA faz de verdade, a instalação passo a passo no Windows, Mac e Linux, um primeiro teste de 5 minutos e onde fica o limite legal.
Você comentou LINK e aqui está tudo: o repositório, o que ele faz de verdade (e o que não faz), a instalação passo a passo e um primeiro teste que roda em 5 minutos, mesmo no Windows. Se você nunca instalou nada pelo terminal, passe antes no meu guia GitHub do zero e volte pra cá.
Resumo pra quem tem pressa
| O que é | Um kit que dá ferramentas de engenharia reversa pro seu agente de IA |
| Nome | REA, de Reverse Engineer Anything |
| Preço | Grátis, código aberto, licença MIT |
| Funciona com | Claude Code, Claude Desktop, Codex, Cursor, Gemini CLI, Windsurf, VS Code, Copilot CLI e outros |
| Onde roda | Na sua máquina. Mac e Linux completos, Windows em fase experimental |
| Precisa de | Node.js 22.19 ou mais novo. Para programa compilado, também Ghidra, Hopper ou IDA |
| Instalar | npx rea-agents setup |
| Link | github.com/morluto/rea |
O que é o REA
Pensa num relógio fechado. Você vê os ponteiros andando, mas não vê as engrenagens. Engenharia reversa é abrir a tampa e descobrir como as peças se encaixam, sem ter o desenho do fabricante.
Com software é igual. O aplicativo que você instala é um arquivo compilado, escrito pra máquina ler, não pra gente. Abrir esse arquivo e entender o que ele faz sempre foi trabalho de especialista, com programas como o Ghidra e o Hopper, que têm centenas de botões e uma curva de aprendizado longa.
O REA coloca esses programas na mão do seu agente de IA. Ele é um servidor MCP (o padrão que deixa a IA usar ferramentas) e também um comando de terminal. Você escreve em português o que quer descobrir, e o agente opera o descompilador por você.
Quando este texto foi escrito (07/10/2026), o repositório tinha 14,4 mil estrelas e 1,5 mil forks no GitHub, estava na versão 5.0.0 e oferecia 133 ferramentas ao agente.
Como funciona por dentro
O projeto resume o trabalho em três verbos:
DESCOMPILAR → ENTENDER → RECRIAR
Descompilar é abrir o aplicativo e recuperar o que dá pra ler: nomes de funções, textos, pseudocódigo. Entender é seguir o caminho de uma função até outra, até o agente conseguir explicar como um recurso funciona. Recriar é pegar o que foi aprendido e escrever uma versão sua, no seu projeto e na sua linguagem.
O exemplo do README é este pedido:
Reverse engineer the Notes app. Find how offline search works, explain it, and build a version for my project using TypeScript and SQLite.
Em português: descubra como a busca offline do app de Notas funciona, explique e faça uma versão pro meu projeto. Por baixo, o agente segue este caminho:
| Passo | O que o agente faz | Ferramentas do REA |
|---|---|---|
| 1 | Abre e identifica o binário | open_binary, binary_overview |
| 2 | Procura pistas da busca offline | search_strings, search_procedures, list_names |
| 3 | Liga essas pistas ao código que executa | find_xrefs_to_name, xrefs, procedure_callers |
| 4 | Reconstrói o fluxo entre as funções | get_call_graph, procedure_callees, procedure_info |
| 5 | Descompila as rotinas que importam | procedure_pseudo_code, procedure_assembly, batch_decompile |
| 6 | Escreve o recurso no seu projeto | As ferramentas normais de edição do agente |
O REA cuida dos passos 1 a 5. O passo 6 é o seu agente programando como sempre, só que agora sabendo como o original funciona.

Cada resposta vem com o que o projeto chama de Evidence: de qual arquivo saiu, qual ferramenta analisou, em que endereço está, qual o grau de confiança e quais são as limitações. É isso que eu chamo de "prova" no vídeo. A IA não pode só afirmar, ela tem que mostrar de onde tirou.
Dica: peça sempre "me mostra a evidência" no seu prompt. É o que separa uma análise de verdade de um chute bem escrito.
O que ele consegue abrir
| Alvo | Exemplos | O que precisa além do Node |
|---|---|---|
| Programa compilado | .app do Mac, ELF do Linux, .exe do Windows | Ghidra, Hopper ou IDA |
| App feito em Electron ou JavaScript | Pasta do app ou arquivo app.asar | Nada |
| Aplicativo de Android | .apk | JADX e um JDK (só Mac e Linux) |
| Pacotes | ZIP, IPA, ASAR | Nada pra listar o conteúdo |
| .NET | Assemblies .dll e .exe gerenciados | Nada pra ler os metadados |
| Sites | Uma aba aberta num navegador da família Chrome | O navegador com a porta de depuração ligada |
O Electron é o mais interessante pra começar. Muito programa de computador que você usa (VS Code, Discord, Slack) é feito com Electron, ou seja, é JavaScript empacotado. Esse tipo de app o REA mapeia sem descompilador nenhum e sem executar o programa.
O que ninguém te conta
Ele não devolve o código-fonte original. A documentação é direta: nenhum descompilador garante o código original. O que sai é pseudocódigo, assembly, nomes e as relações entre as funções. É o suficiente pra entender e refazer, mas não é um "baixar o código do app".
Ele não clona aplicativo sozinho. O README diz com todas as letras que o REA não promete recuperar o código nem clonar um app automaticamente. Quem escreve a sua versão é o agente, um recurso por vez.
"Roda local" tem um asterisco. O REA não envia o aplicativo pra nenhum servidor dele. Só que os trechos que o agente lê vão pro modelo que você usa (Claude, GPT, Gemini), e aí vale a política de dados desse serviço.
Não é uma caixa de areia. As ferramentas rodam com as permissões do seu usuário. Não use pra abrir arquivo suspeito achando que está isolado.
No Windows ainda é experimental. O Hopper não existe pra Windows, a análise de APK não roda nele, e o suporte ao Ghidra cobre só programas .exe nativos, em modo de leitura. A análise de Electron e JavaScript funciona normal. Pra ter o resto, a própria documentação aponta o REA do Linux rodando dentro do WSL.
Programa compilado demora na primeira pergunta. O Ghidra importa e analisa o arquivo inteiro antes de responder. Em app grande, a primeira consulta pode levar minutos.
Como instalar, passo a passo
1. Instale o Node.js
Baixe a versão LTS em nodejs.org. O REA aceita Node 22 (a partir da 22.19), 24 (a partir da 24.11) e 26 ou mais novo. Confira no terminal:
node --version
2. Rode o setup
npx rea-agents setup
O setup lista os agentes compatíveis, você marca quais vão usar o REA, e ele mostra exatamente quais arquivos vai alterar antes de pedir a sua aprovação. Ele faz backup da configuração antiga, e se você recusar ou apertar Ctrl+C nada muda.
3. Reinicie o agente
Feche e abra o Claude Code, o Cursor ou o que você escolheu. As ferramentas do REA só aparecem depois disso.
4. Escolha o motor de análise (só pra programa compilado)
Se o seu alvo é um app Electron, pule esta etapa. Pra binário nativo, o REA precisa de um descompilador instalado:
| Motor | Preço | Sistemas | Como entra |
|---|---|---|---|
| Ghidra | Grátis e open source | Linux, Mac, Windows (experimental) | Você instala e aponta o caminho |
| Hopper | Pago, com demo limitada | Mac e Linux | O setup instala pra você, se você aprovar |
| IDA Pro | Pago | Quem já tem | Reaproveita uma instalação existente |
No Mac ou Linux, com Hopper: aceite a instalação durante o setup. Na primeira vez o Hopper abre uma janela, e é só escolher o modo demo.
Com Ghidra (Mac ou Linux): instale o Ghidra 12.1 e um JDK 21, depois diga ao REA onde eles estão:
export GHIDRA_INSTALL_DIR=/caminho/completo/ghidra_12.1.4_PUBLIC
export JAVA_HOME=/caminho/completo/jdk-21
rea doctor --json
rea setup
Com Ghidra no Windows (PowerShell):
npm install --global rea-agents
$env:GHIDRA_INSTALL_DIR = "C:\tools\ghidra_12.1.4_PUBLIC"
$env:JAVA_HOME = "C:\tools\jdk-21"
$env:REA_ANALYSIS_PROVIDER = "ghidra"
rea doctor --json
Troque os caminhos pelos da sua máquina. O REA nunca baixa o Ghidra nem o Java: você instala os dois, ele só se conecta.
Dica: se você tiver Ghidra e Hopper instalados ao mesmo tempo, o REA não escolhe sozinho e devolve erro. Diga qual usar com
--provider ghidrano comando, ou deixe fixo com a variávelREA_ANALYSIS_PROVIDER.
Se o seu agente não estiver na lista
Qualquer agente que aceite servidor MCP local funciona com esta configuração manual:
{
"mcpServers": {
"rea": {
"command": "npx",
"args": ["-y", "[email protected]", "mcp"]
}
}
}
Primeiro teste em 5 minutos
Este roda só com o Node, sem descompilador, e funciona no Windows. Você vai mapear um app Electron sem executar nada.
- Ache a pasta de um app Electron instalado. Dentro dela costuma existir uma pasta
resourcescom um arquivoapp.asar. - Rode o comando com o caminho completo desse arquivo:
npx -y rea-agents@latest analyze-javascript-application "C:/caminho/do/app/resources/app.asar" --json
- A resposta lista os módulos, os imports, as rotas, os canais de comunicação internos e o que ficou sem resposta.
Depois, com o agente já configurado, faça o pedido em português mesmo:
Use o REA pra analisar o app em C:/caminho/do/app/resources/app.asar.
Me explica como funciona o salvamento automático, me mostra a evidência
de cada conclusão e diz o que você não conseguiu confirmar.
Prompts pra copiar
- "Me dá uma visão geral desse aplicativo: do que ele é feito, quais bibliotecas usa e onde guarda os dados."
- "Descobre como esse app salva as configurações do usuário e me mostra a evidência."
- "Rastreia o caminho do login nesse app, da tela até a chamada de rede."
- "Compara essas duas versões do app e me diz o que mudou."
- "Agora cria um recurso parecido no meu projeto, em [sua linguagem], sem copiar trechos do original."
O REA também traz seis roteiros prontos pra agentes que suportam prompts do MCP: investigar um recurso, comparar versões, verificar uma reconstrução, rastrear um travamento, revisar o que ficou em aberto e planejar uma captura de processo.
Comandos do terminal
Dá pra usar tudo sem agente nenhum. Com o comando rea instalado (npm install --global rea-agents):
| Comando | O que faz |
|---|---|
rea analyze CAMINHO | Visão geral do aplicativo |
rea search CAMINHO "texto" | Procura um texto ou nome dentro do app |
rea function CAMINHO 0x1000 | Abre o dossiê de uma função pelo endereço |
rea xrefs CAMINHO 0x1000 | Mostra o que faz referência àquele endereço |
rea trace CAMINHO "offline" | Segue um recurso a partir de uma palavra |
rea decompile CAMINHO 0x1000 | Descompila uma função |
rea compare a.json b.json | Compara duas análises salvas |
rea providers | Lista os motores disponíveis |
rea doctor | Diagnostica a instalação, sem mudar nada |
rea update | Atualiza o REA |
rea uninstall | Remove só o que é do REA |
Se der erro
Comece sempre por aqui:
npx -y rea-agents@latest doctor
O doctor confere o sistema, as dependências, os motores e a configuração dos agentes. Ele pode acusar problema num motor que você nem usa, e isso não te impede de trabalhar. Pra checar só o que interessa:
rea doctor --provider ghidra --json
rea doctor --client cursor --json
Outros tropeços comuns: esquecer de reiniciar o agente depois do setup, usar Node 23 ou 25 (não são aceitos) e rodar npm install rea-agents sem o --global, que não deixa o comando rea disponível no terminal.
Onde fica a linha
O aviso do próprio repositório: as ferramentas são para pesquisa, análise e reconstrução dentro da lei, e a responsabilidade de ter autorização é de quem usa.
No Brasil, programa de computador é protegido pela Lei 9.609/98, a Lei do Software, com o mesmo regime das obras literárias. Violar o direito do autor de um programa tem pena de detenção de seis meses a dois anos ou multa. A lei não fala em engenharia reversa, nem pra liberar nem pra proibir, então entram na conta também os termos de uso que você aceitou ao instalar o app.
Um ponto da lei ajuda a entender o limite: semelhança entre dois programas por causa das características funcionais não é violação. Fazer um recurso que funciona parecido é uma coisa. Copiar o código de alguém é outra.
Usos tranquilos:
- Os seus próprios aplicativos, inclusive aquele de que você perdeu o código.
- Software de código aberto.
- Desafios de CTF e programas feitos pra treino.
- Estudo de como um formato ou um protocolo funciona, pra fazer algo compatível.
Usos que dão problema: quebrar licença, tirar proteção contra cópia, extrair segredo de empresa e republicar o trabalho dos outros como seu. Isso aqui não é consultoria jurídica. Se for uso comercial, fale com um advogado.
Pra ir mais fundo
Documentação
- README do REA: a visão completa, com o catálogo de ferramentas por família.
- Instalação e setup: todas as opções do setup, do Hopper e do Ghidra.
- Ghidra no Windows: o que o suporte experimental cobre e o que fica de fora.
- Análise de Android: como inspecionar um APK com o JADX.
- Apps em JavaScript e Electron: o caminho que não precisa de descompilador.
Exemplo real
- DX-Ball: a reconstrução de um jogo clássico do Windows, do executável até código C, usando o REA com o Ghidra.
No Cofre
- GitHub do zero: como usar os projetos que eu mostro, mesmo sem saber programar.
- Claude Code escolhe o modelo certo sozinho: outro truque pra quem já usa agente no terminal.
- Central de Repositórios Secretos: mais projetos desse tipo.
Glossário rápido
| Termo | Em português claro |
|---|---|
| Binário | O programa já compilado, em linguagem de máquina |
| Código-fonte | O texto que o programador escreveu antes de compilar |
| Engenharia reversa | Descobrir como algo funciona a partir do produto pronto |
| Descompilador | Programa que transforma o binário num código aproximado, legível |
| Pseudocódigo | Esse código aproximado. Mostra a lógica, mas não é o original |
| Assembly | As instruções do processador escritas de forma legível |
| MCP | O padrão que deixa um agente de IA usar ferramentas externas |
| Agente | Uma IA que executa tarefas com ferramentas, além de conversar |
| Electron | Tecnologia pra fazer programa de computador com JavaScript |
| ASAR | O arquivo que guarda o código de um app Electron |
| Ghidra | Descompilador gratuito e de código aberto |
| Evidence | O registro do REA que diz de onde saiu cada conclusão |
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